
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
3 comentários:
Qual o gênero literário deste texto?
Vinícius já nos avisou...há amores que não pedem permissão, não sabem medir o toque nem poupar a pele.
Eles vivem porque não aprenderam a ser cautela.
Esse amor que vibra é coração sem freio, é sentir até doer porque doer ainda é prova de existência.
Desbravar as encostas do coração é aceitar que haverá vertigem, arranhões na alma e mesmo assim seguir.
Porque amar a esmo é, no fundo, recusar-se a morrer por dentro.
E se for louco — que seja inteiro.
Se for ferida — que pulse.
Se for amor — que não peça desculpas por sentir demais.
Débora MMonteiro.
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